sexta-feira, 31 de maio de 2013

Vivo morto.

Amarrou o cadarço do seu all star, colocou a mochila nas costas e foi viver as poucas coisas que a vida lhe proporcionada. Na bagagem levava consigo sua garrafa de uísque, seus maços de cigarro. 
Talvez alguns sonhos perdidos no desandar da carruagem. Talvez alguma esperança que muita coisa mudasse.
Andava vivo. Porém, morto.










segunda-feira, 27 de maio de 2013

Passarinho

Dentro d'eu bate em meu peito um pássaro acabado, cansado. 
Hora quer sair pra beber, hora quer apenas escrever.
Dentro d'eu bate um pássaro inacabado, amado.
Bate as asas pra voar, ser livre e amar.
Mas eu não deixo, uso um bloqueio. Aprendi, ou penso que aprendi, a segurá-lo na gaiola.
Dentro d'eu bate um pássaro que quer beber, quer gritar... Mas eu não deixo.
Não por medo, mas por ele não saber se controlar.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Indefinido


Um, dezessete, uma e dezessete. Dezesseis, cinco. Dezesseis do cinco. Números e mais números exalados pelo vento. Um copo de conhaque me faz companhia na solidão. Queria então poder preencher o vazio com algo que, no momento, não fosse um livro. Um cigarro é aceso e a fumaça exala as mentiras omitidas pelas nuvens sanguíneas. Mais uma dose de conhaque e uma tragada no cigarro. Quem dera eu poder ali esquecer os números quando se trata de pessoas. Quantos amigos? Qual é a idade? Quanto é o salário? Se pudesse então serem levados pela fumaça... 
Um, vinte, quatro. Uma  e vinte quatro. O que isso forma? O que transforma? Não se sabe ao certo. São como áureas que se perdem no petróleo negro. 
Mas naquele momento, três era o número ideal: o conhaque, eu e o cigarro. Nem mais. Nem menos. Apenas três em um milhão.













sábado, 4 de maio de 2013

Metamorfose.


A lagarta quer virar borboleta e então sair desse tremendo vazio e solidão, pode voar para perto do arco-íris e só então demonstrar tamanha imensidão que uma pequena borboleta é capaz de mostrar. E então, ao liberta-se dessa solidão, a borboleta então poderá se sentir acompanhada do vento que a sopra e a faz bater as asas, livre a voar. A borboleta não pretende ir tão longe, só ao máximo onde ela pode chegar, e o limite, só ao voar ela saberá. A lagarta então ficará em um passado não muito distante, mas sempre que a borboleta bater as asas, ela irá lembrar que, um dia, antes disso acontecer, ela primeiro teve que se rastejar. Para sair desse vazio e dessa solidão foi preciso rastejastes para só então perceber a imensidão que é uma transformação. E sempre que houver uma mudança será para melhor. 
Quanto mais próximo quiseres alcançar o arco-íris, terás que enfrentar uma tempestade. 
Lá do alto poderás notar que nem tudo que se deixa pra trás é tão ruim, mas tudo que se leva é um eterno aprendizado. A borboleta então percebe que não poderá mais voltar a ser uma lagarta, mas percebe que pra sair da solidão é preciso bater asas.

Sempre em Frente.


Tão natural mesmo são suas palavras, mais natural que sua beleza. Beleza está que não está exatamente no porte físico. O físico é só um pequeno detalhe que se passa despercebido aos olhos de quem sabe enxergar mais além.
De onde vens que és tão bela? De onde vens que és tão sincera? Gostaria de saber de onde vem, para onde vai. Mas percebo que é uma metamorfose ambulante e está sempre em mudança constante. Sem direção, sem rumo, buscando apenas a felicidade do seu destino. Mas que destino minha pequena? Será mesmo que ele existe? Será que não é apenas uma ilusão para nossa felicidade? Seja qual for à resposta pra todas essas perguntas, sempre existirão mais perguntas sem respostas. Vida complicada essa não? Que assim seja a nossa caminhada, sem muitas perguntas, sem preocupação alguma. Pra quê se preocupar tanto com essas coisas se tem você que és tão bela e tão sincera. Mas siga em frente pequena, busque sua felicidade, com poucas bagagens, com poucas pessoas, apenas em frente sem tanta gente


Dolorosa Morte.

Amou e acabou no tremendo atormento da dor.
Morreu com no corpo vazio no nevoeiro do luar ao som do mar.
Na leveza da dança o canto soa pelo eco imaginário na brisa do olhar.
Na chuva dançou, cantou, encantou...
Por um instante esqueceu a morte e enfatizou a vida.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ê Saudade.

Certa noite ao olhar o céu estrelado após um dia de chuva, vi um pequeno filme passar na mente, lembranças, saudades, amores. Peguei um cigarro e um pouco de bebida, então pensei em te escrever, mas não sabia por onde começar. Depois de varias folhas amassadas no chão, vi que era em vão tentar mais uma vez recomeçar de novo. Aquilo martelava minha mente, mas, de qualquer forma queria te contar coisas simples, desde como foi meu dia até como estou me sentindo realmente, mas hoje, mas agora, não sei se importaria.De que adianta tentar descrever o sentimos? Palavras são meras palavras perto da imensidão que existe dentro de nós. Então, tomei mais uma dose de conhaque e percebi que, a unica maneira era demonstrar não em palavras, mas sim nos gestos. Mas gestos? Gestos ou atitudes nunca fizeram muito seu feitio, afinal, eramos apenas parte de um mundo falso, onde já não sabia o que era mentira, o que era verdade. Dera eu, saber mentir com tamanha frieza tal sentimento puro que carregava. Dera eu, conseguir despir essa saudade que guardo em segredo, somente para mim. Dentre essas e outras contradições de madrugadas em claro, me pergunto se tem algum vestígio de mim em ti, como há teu em mim. Dera eu, saber se o que sentis por mim é real, puro, verdadeiro. Mas se os olhos falam, os seus me encantam, me enganam. Enganam-me nas olhadas que dá, na maneira como me encara, fico me perguntando quando é que eles estão dizendo que está com saudades, que me quer, ou quer que eu vá embora, que desapareça. É um contentamento descontente. É um saber descabendo... A única certeza que sobrou então, é esse cigarro, e esse café, que ainda me mantem aquecida, pois, me sinto tão sozinha em meio de duvidas. Peço um sinal, peço uma certeza, que venha de ti, para poder desamassar então todas as folhas jogadas e poder reescrevê-las em uma frase: Eu também sinto saudade.


Com Luana Leal

Flora. Flor.

Numa tarde tão linda de céu nublado o sorriso dela se escondeu entra as nuvens encharcadas. Lágrimas queriam ser expostas nas sua face, mas a força de não deixá-las caírem, já não suportava tamanha tristeza. Motivos para estar assim tinha muitos, porém, frear-se das causas era o que mais queria. Infelizmente não conseguia. 
Evidentemente a dor era supérflua para acomodação do seu ser. Sempre enfática com seus sentimentos não temia tamanha relutância. Oh pequena dor, se a ti devo algum favor, peço-te que se vá e deixa a alegria se aproximar.  
Sou uma menina tentando ser mulher, com pequenos fardos pesados nas costas. E apesar de apreciar algumas coisas com desdém, peço-te que me deixe ser afortunada em um mundo com muito amor e pouca demonstração de afeto. Deixe-me ir com lágrimas de alegria, e que nesta tarde nublada que a chuva caia como as lágrimas caem sobre meu rosto, levando a tristeza e deixando sorriso por onde for. E onde quer que vá que a dor vire flor.