sábado, 25 de abril de 2015

Incertezas

O manto negro da lua insiste em pairar na rua.
Nos sonhos acordados, tudo se desfaz de maneira rígida e eficaz. Seus sorrisos são desfeitos com uma simples gota d'água.
No corpo, os hematomas de um choro calado, uma raiva tampada.
Nos olhares, a incerteza de que seu âmago é vago, solitário...
Na bagagem que carrega consigo sobra apenas às dúvidas inacabadas de uma vida amargurada.

Vestígios de lembranças

Após um dia cansativo e com pouca chuva, ouvi a saudade bater na porta. Trazendo com ela algumas lembranças indesejadas e até mesmo idealizadas. Pensei em escrever algo para suprir o barulho que ela fazia. Horas se passaram e o que consegui foi apenas secar meu copo de uísque. Adianta de alguma coisa descreve-la? São apenas meras palavras diante da martelada que agita no peito. Até porque descrever esses sentimentos nunca fizeram meu feitio. Mas saudade é saudade. Ela é inquieta. É passageira. Faz alguns estragos, de fato, mas é superável.
Dentre esse sentimento e outros que ainda estão por vir, cabe a mim apenas sentir.
Como pode eu, ter tamanha frieza em algo guardado somente para mim.
Dera eu, não ter esses vestígios escondidos em mim.
Dera eu, despir em folhas amassadas tudo aquilo que imaginava.