Ouvi dizer que em uma terra não muito distante, havia uma guria, cuja seu lema era "apenas viver de forma agradável". Certo dia, caminhando pelo campo, encontrou um senhor, e começaram a conversar:
__ Olá minha pequena. __ Disse o senhor educadamente.
__ Olá, senhor. __ Respondeu educadamente a pequena guria.
__ Para onde vai toda de cabeça baixa?
__ Para onde der certo ir.
__ Mas se não sabe para onde vai, como acha que vai chegar lá?
__ sabe, senhor, não sou muito de falar sobre mim, sobre minhas idas sem voltas, sobre meus rumos, mas se o senhor estiver disposto a ouvir, eu te contarei.
__ Fique à vontade, minha pequena. Estou aqui para te ouvir.
__ Sabe senhor, o meu lema é viver de forma agradável, de forma que eu me sinta bem sem precisar da ajuda de ninguém, mas isso é complicado. Estamos sempre esperando algo das pessoas, algo que elas não podem nos dar. Às vezes, até podem, mas não querem, então eu vou seguindo meu rumo sem volta, algumas pessoas pedem pr'eu ficar, outras nem fazem questão da minha presença, ou seria ausência? Então eu apenas vou. Sou muito diferente dessas pessoas que se dizem normais, que seguem os mesmos padrões, que seguem as mesmas mesmices. Sou bastante diferente, tão diferente que às vezes chego a imaginar que não sou daqui. Eu olho pra essas meninas e me sinto uma estranha perto delas. Eu gosto de adrenalina, de emoção, de lutas (adoro ver filmes de ação, UFC, qualquer coisa que envolva brigas, torturas e mortes), viu só, não sou daqui. Eu olho e vejo essas pessoas cada vez mais vazias, sem aquela emoção, sabe? Você me entende? Aquela emoção que a gente bate o olho e pensa "porra, nunca me senti assim olhando pra alguém." Então, como eu disse, vou sempre em frente, procurando encontrar quem sabe, esse ser que me faça sentir essa emoção. Vou levando também bastante bagagens, algumas saudades daqui, uns machucados dali, nada que seja muito pesado. Mas sabe o que mais me fortalece?! Sorrisos! Abraços! Os meus sorrisos ninguém percebe quando são verdadeiros ou quando é tipo "vou rir pra não chorar", meus abraços são os mais demorados possíveis, gosto de abraços de verdade, que te acolhe. Mas chorar, tá ai uma coisa que eu quase não faço, na verdade, não sou de chorar, sinto raiva de mim por não conseguir chorar. Tá percebendo senhor, o quão estranha eu sou? Mas isso não importa, o senhor quer saber pra onde eu vou, né isso? Eu vou me afastando cada vez mais dessas pessoas normais, indo pra muito longe. E acredite, esse lugar não é tão longe como o senhor imagina, às vezes esse lugar não é de fato um lugar, e sim um sorriso e/ou um abraço onde eu possa me abrigar, me refugiar. Já falei demais. Desculpa falar muito meu senhor, é que eu não gosto de falar sobre mim, mas quando começo vou longe. vou indo nessa seu moço. Até mais.
__ Volta aqui guria, eu estou adorando ouvir a sua historia.
__ Esqueceu que não gosto de falar muito sobre mim? Já falei o bastante.
__ E aonde você vai?
__ Já disse, para onde der certo ir. Quem sabe a gente não se bate por ai.
__ Mas eu não sei aonde você vai, como vamos nos encontrar?
__ Do mesmo jeito que nos encontramos hoje, talvez por acaso, talvez por destino. Tchau.
__ Tchau, guria, e não se esqueça, quando encontrar o sorriso que procura e o abraço que te cura, você estará encontrando alguém que não seja normal.
__ Assim espero, meu senhor. Obrigada por me ouvir. Tchau.