quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Vento, Ventania

Mesmo com a ventania, o vento não leva a saudade que insiste em pairar no tempo.
A poeira não cobre as lembranças guardadas em um armário de madeira, que depois de levar muita rasteira, virou concreto sem nexo.
A felicidade ali procurava existir.
Diante de tanto redemoinho, coube a um espanador, espanar a dor que a poeira não tapou.
Nos pulsos, pulsava a angústia de querer saber o motivo de tanto porquês.
E a nostalgia batia levemente no muro de concreto. Vagarosamente o vento tentava levar as lembranças para um doloroso e aconchegante esquecimento.

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